Gato Angorá Turco
O Gato Angorá Turco é uma das raças mais antigas e refinadas do mundo, com o seu pelo sedoso, a sua silhueta elegante e um temperamento que combina vivacidade, inteligência e um afeto genuíno. É um animal activo, curioso e com iniciativa própria, que participa na vida doméstica com entusiasmo e que estabelece vínculos profundos com as pessoas que o cuidam.
Características







Origens
A origem do Gato Angorá Turco situa-se em Ancara (antiga Angora) e nas regiões montanhosas da Turquia, onde existia de forma natural há séculos, adaptado ao clima frio do interior da Anatólia. O seu pelo semi-longo e fino, sem subpelo, é o resultado dessa adaptação natural: protege-o do frio sem se tornar excessivamente pesado no verão. Os viajantes europeus que visitaram o Império Otomano nos séculos XVI e XVII ficaram fascinados por estes gatos brancos de olhos invulgares e os levaram para França e Itália, onde causaram sensação nas cortes europeias.
Durante os séculos XVIII e XIX, o Angorá Turco foi cruzado com outras raças de pelo longo na Europa, especialmente com o Persa, a tal ponto que perdeu a sua identidade como raça diferenciada. Para preservar a raça no seu estado original, o Zoológico de Ancara iniciou, na década de 1950, um programa de criação controlada, considerado hoje o guardião oficial do Angorá Turco puro. Foi graças a esse programa que a raça chegou aos Estados Unidos na década de 1960, onde foi reconhecida oficialmente e se difundiu pelo resto do mundo. A Turquia considera este gato parte do seu património cultural.
Características e aptidões
O Angorá Turco é um gato de corpo longo, esguio e musculoso, com uma elegância natural que se percebe em cada movimento. A sua cabeça é cuneiforme, com orelhas grandes e eretas, e os seus olhos podem ser azuis, âmbar, verdes ou de cor diferente (o que se conhece como olhos ímpares), uma característica muito valorizada na raça, especialmente nos exemplares brancos. A pelagem é semi-longa, sem subpêlo, o que lhe confere leveza e um brilho extraordinário; não se embaraça facilmente e acompanha o movimento. A cauda, longa e farta, completa uma figura harmoniosa e elegante.
O seu carácter é activo, inteligente e marcadamente sociável. Ao contrário de muitos gatos de pelo comprido, o Angorá Turco não é um gato de sofá: precisa de se movimentar, explorar, brincar e participar em tudo o que acontece à sua volta. É habilidoso com as patas, pode abrir portas, gavetas ou torneiras, e aprende com grande facilidade. Dá-se bem com crianças e com outros animais, embora possa mostrar-se dominante se não houver uma apresentação gradual. Muitos tutores descrevem o seu carácter como "de cão" pela lealdade e pelo acompanhamento constante que demonstram para com as suas pessoas de referência.
Cuidados
O pêlo do Angorá Turco é surpreendentemente fácil de manter, dado o seu comprimento. Por não ter subpêlo, não se formam felos com a mesma facilidade de outras raças de pêlo comprido. Uma escovagem duas ou três vezes por semana, com um pente de dentes finos para detetar possíveis nós incipientes, é suficiente para o manter em perfeito estado. Na época de muda, uma escovagem mais frequente ajuda a controlar o pêlo solto em casa. Os banhos podem ser feitos ocasionalmente e, bem seco, o pêlo recupera rapidamente a sua textura natural.
Tendo em conta o seu elevado nível de atividade, o Angorá Turco necessita de estimulação diária: brinquedos interativos, estruturas de escalada, jogos de inteligência e tempo de brincadeira partilhado com os seus tutores. Sem essa estimulação, pode aborrecer-se e procurar o seu próprio entretenimento de formas nem sempre desejáveis. Também é importante a higiene dentária (escovagem ou snacks específicos várias vezes por semana) e as revisões veterinárias periódicas que incluam avaliação cardíaca. A alimentação deve ser de alta qualidade e adaptada ao seu nível de atividade, sem excessos que favoreçam o excesso de peso.
Doenças mais comuns
A condição mais conhecida na raça é a surdez congénita, que afeta com maior frequência os exemplares de pelo branco com olhos azuis. Esta relação entre pelo branco, olhos azuis e surdez tem base genética (ligada ao gene W responsável pela cor branca) e pode afetar um ou ambos os ouvidos. Os gatos surdos podem ter uma vida plena com os cuidados adequados, mas convém saber desde o início para adaptar a comunicação e os cuidados. O teste BAER permite detectar a surdez com precisão em gatinhos.
Também pode ocorrer cardiomiopatia hipertrófica (CMH), o espessamento das paredes cardíacas que é relativamente frequente no mundo felino e que, no Angorá Turco, merece acompanhamento por ecocardiogramas anuais. A ataxia cerebelosa, uma perturbação neurológica que afeta a coordenação do movimento, tem sido documentada em alguns exemplares da raça, embora seja pouco frequente. Com criadores responsáveis que realizam testes genéticos, exames veterinários regulares e uma alimentação de qualidade, o Angorá Turco pode desfrutar de uma vida longa e activa.